Dr. Clécio fez um breve relato histórico da evolução do SUS, destacando o sistema como resultado da evolução do processo democrático.
Como “ponto de partida” para a efetivação, “bom funcionamento” ou “sucesso” de qualquer sistema de saúde temos como condição “sine qua non” a utilização desses mesmos serviços por parte daqueles a quem o mesmo se destina. Desse modo, faz-se axiomática a questão do acesso, ou seja: oportunizar, priorizar e aprimorar os meios, por meio dos quais o usuário poderá alcançar os serviços de saúde oferecidos pelo sistema.
Esse conjunto de medidas constitui a “pedra fundamental” de todo o “edifício” que se pretende construir; obra esta que pretende ser um Sistema Único de Saúde. A “porta de entrada” desse mesmo edifício é a Atenção Primária à Saúde, que necessita ter concretizados os princípios da acessibilidade e da integralidade da atenção.
Portanto, faz-se necessário que haja também, atenção qualificada à demanda espontânea - como bem destacou o Coordenador da Atenção Básica do MS., Dr. Núlvio Lernen Jr. - que resulta da interação eficaz entre os modos de reação por parte do indivíduo que procura cuidados e do profissional que o conduz através do sistema de saúde, aqui se destacando e se priorizando a “entrada”.
Ambos, com ampla experiência internacional, esbanjaram conhecimento e simpatia, enriquecendo, em muito, o encontro.
A participação maciça e multidisciplinar dos profissionais, também, foi fundamental para uma melhor abordagem do tema, onde médicos, enfermeiros, dentistas, técnicos de enfermagem, ACDS e outros contribuiram para o enriquecimento dos debates e melhor compreensão das funções e necessidade de integração dos diferentes membros das ESF.
O CS - Ingleses e o CS - Jardim Atlântico apresentaram suas experiências através de slides em que destacaram uma maior centralidade em pessoas ao invés de programas, ênfase na clínica do enfermeiro e a busca de maior e mais rápida comunicação com a comunidade, disponibilizando alternativas tecnológicamente modernas como o correio eletrônico ou propuseram algumas alternativas para melhoria do atendimento, como o desenho de um fluxograma definido para resposta às demandas ou incorporação de aspectos sociais à classificação de risco, por exemplo.
O CS - Saco Grande, de forma criativa, apresentou um interessante filme, onde documentou o trabalho das diversas equipes profissionais envolvidas na ESF, como, por exemplo, a odontológica.
Ao que indica a fala dos relatores, questionamentos e esclarecimentos que se seguiram, contando com membros das equipes unidades de saúde e assistência do Diretor e do Gerente da APS em Florianópolis, Drs. Daniel Moutinho e Jorge Zepeda, há a concordância da necessidade de aprimoramentos de alguns pontos e reconsideração de outros.
O Diretor da APS, Dr. Daniel Moutinho, enfatizou os resultados sobre o Sitema de Saúde, quando a ênfase recai sobre a Atenção Primária. Os sistemas de saúde são assim orientados, associam-se com diversos benefícios, tais como: menores custos, maior satisfação da população, melhores níveis de saúde e menor uso de medicamentos.
Hoje, a melhor compreensão de um fundamento filosófico que tanto justifique a necessidade do desenvolvimento e prática de certas virtudes como a obediência a certos princípios como, o respeito à autonomia, à não maleficência, à beneficência e a justiça (como defende a Ética Principialista) é, mais do que acessório, uma peça fundamental que aliada ao conhecimento técnico efetivará uma melhor organização da demanda espontânea e manejo de queixas clínicas mais comuns, visando obter uma resolutividade compatível com as necessidades presentes no dia a dia dessas populações e equipes, além de abordar algumas situações de urgência e emergência que podem, e mesmo devem, ser decididas no âmbito da Atenção Primária.
O argumento ético também foi destacado pelo Gerente da APS, Dr. Jorge Zepeda.
Não por outras razões a Diretoria de Atenção Primária definiu, como já se noticiou, o acesso como tema prioritário em 2011, para ampliar a compreensão da função desse nível de atenção e apoiar a reorganização da porta de entrada assim como do acolhimento dos centros de saúde.
O MS vê esta última medida como uma diretriz ética e política constitutiva dos modos de se produzir saúde e, também, como ferramenta tecnológica de intervenção na qualificação de escuta, construção de vínculo, garantia do acesso com responsabilização nos serviços, conforme destacado no Caderno no. 28 do DAB (Atenção à demanda espontânea na APS). Tais iniciativas estão de acordo com objetivos do Plano Municipal de Saúde e o material derivado desta oficina, está disponível neste blog.
Por fim, a Oficina sobre Acesso na Atenção Primária à Saúde, foi um grande sucesso, em que a troca de experiências, discussões e elaboração de sugestões fizeram todos sairem mais enriquecidos, neste intercâmbio que acabou tendo um "status" internacional, com a participação dos convidados estrangeiros e seu excelente entrosamento com os membros da diretoria da APS local.
Cobertura e fotos: Helman Telles




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